Muito se fala sobre inadimplência, especialmente quando o Serasa ou outros órgãos divulgam pesquisas. Mas, a atividade de cobrança de dívidas em si recebe pouca atenção.
Inclusive, em micro e pequenas empresas, a atividade de cobrança costuma ser uma “batata quente”, cuja atribuição se dá mediante sorteio ou há alguma rotatividade na equipe para execução da ação de cobrança. Assim, não há uma especialização, rotina, abordagem, ferramentas e muito menos uma equipe para cobrança. Nesse cenário, a cobrança é vista apenas como uma atividade de baixa prioridade que precisa ser feita, sem muita preocupação com sua execução, retorno ou performance. Ou seja, é vista como um mal necessário.
No entanto, determinados tipos de empresas sabem muito bem a importância do setor de cobranças. Essa atividade faz parte do core de financeiras, por exemplo. O indicador de inadimplência é muito relevante para a saúde de uma fintech de crédito (SCD) e pode ser um divisor de águas entre o crescimento e o fechamento da empresa. Afinal de contas, o principal insumo de uma financeira é o capital e ele não pode ser perdido.
Outro tipo de empresa que se beneficia muito da cobrança são as que utilizam pagamentos recorrentes no cartão de crédito como um diferencial. Como exemplo, temos o setor de educação, fitness, bem-estar e turismo. Falhas na autorização das mensalidades podem ser frequentes, aumentando o risco do negócio e gerando desgastes com os clientes. Para contornar isso, essas empresas investem em equipes de cobrança que não apenas tentam solucionar a inadimplência, mas também tentam resgatar o cliente.
Por fim, cabe citar o setor de saúde suplementar, em que aparecem os planos de saúde, planos odontológicos e até mesmo os cartões de benefícios. Essas empresas sabem a importância da cobrança para manter os clientes em dia e evitar cancelamentos, suspensões e problemas envolvendo carências. Costumam ter tickets médios relativamente baixos, mas que podem causar acionamentos no jurídico, problemas de reputação e outros custos altos para a empresa se forem negligenciados.
Em todos esses casos, a atividade de cobrança não precisa ser desgastante ou um fardo para as pessoas. Ela pode ser feita de forma preventiva, automatizada e até mesmo humanizada (consultiva), com o objetivo de solucionar um problema que é de interesse do cliente e da empresa, claro.
Diante disso, podemos dizer que a atividade de cobrança é relevante e pode impactar nos lucros da empresa positivamente, quando feita de forma correta e consistente. Por outro lado, pode impactar negativamente na empresa quando for deixada de lado.
E na sua empresa, a cobrança já é um setor bem estruturado, está no roadmap para 2026 ou tem sido ignorada?

